sábado, 27 de julho de 2013

Exercitando um pouco meu lado Acadêmico...Artigo : ANÁLISE DA IDEOLOGIA NO DISCURSO DA PERSONAGEM MAFALDA, RELACIONANDO COM A IDENTIDADE FEMININA NOS ANOS 70.

ANÁLISE DA IDEOLOGIA NO DISCURSO DA PERSONAGEM MAFALDA, RELACIONANDO COM A IDENTIDADE FEMININA NOS ANOS 70. Professora: Jaqueline Machado Licenciada em Letras Português Espanhol e Respectivas Literaturas Pós – Graduada em Nível de Aperfeiçoamento em Leitura e Reescrita Textual (URI – Santiago). Pós – Graduanda em Tecnologia da Informação Aplicadas à Educação ( UFSM) RESUMO Este artigo acerca do tema: ANÁLISE DA IDEOLOGIA NO DISCURSO DA PERSONAGEM MAFALDA, RELACIONANDO COM A IDENTIDADE FEMININA NOS ANOS 70, objetivou identificar a existência de ideias feministas na fala da personagem Mafalda, do escritor argentino Joaquín Salvador Lavado (Quino), sob a perspectiva dos estudos em Análise do Discurso na linha francesa, que neste trabalho será tratada de AD. Para tanto, foram analisados alguns quadrinhos da obra do autor argentino buscando estabelecer a partir das falas de Mafalda um contraponto com o perfil da mulher nos anos 70 enfocando as questões ideológicas que se apresentam no discurso. Essa pesquisa é dividida em seis capítulos: As considerações iniciais fazem referencia a relação da sociedade dos anos 70 e a de hoje; o segundo capitulo fala um pouco sobre ideologia numa perspectiva da Análise do Discurso; o terceiro capitulo aborda a formação discursiva; o quarto capitulo apresenta uma breve biografia da personagem Mafalda e seu criador;o quarto fala especificamente sobre Quino ,o cartunista,criador de Mafalda o quinto capitulo apresenta resultados e discussões onde analisaremos cinco tiras da personagem Mafalda e por ultimo o sexto capitulo com as considerações finais . Para a análise de dados primeiramente observaremos a ironia presente nas falas de Mafalda e em seguida observaremos qual é a relação existente entre o discurso de Mafalda e a identidade feminina nos anos 70. PALAVRAS_ CHAVE: Identidade feminina – fala - ideologia RESÚMEN Este articulo sobre el tema: análisis de la ideología en el discurso del personaje Mafalda, en relación a la identidad en mujeres de 70 años, tuvo como objetivo identificar la existencia de las ideas feministas en el discurso del personaje Mafalda, el escritor argentino Joaquín Salvador Lavado (Quino), desde la perspectiva del análisis del discurso en la linea francesa, que en este trabajo se tratará como AD. Con este fin, se analizaron algunos de los cómics de la obra del autor argentino con la pretención de establecer desde el discurso de Mafalda un contrapunto con el perfil de la mujer en los años 70 centrando en las cuestiones ideológicas que surgen en el discurso. Esta investigación se divide en seis capítulos: Las consideraciones iniciales hacen referencia a la relación de la sociedad de los años 70 y hoy en día, el segundo capítulo habla un poco acerca de la perspectiva de la ideología del análisis del discurso, el tercer capítulo se ocupa de la formación discursiva, el cuarto capítulo presenta una breve biografía del personaje de Mafalda y de su creador, el sexto capítulo habla específicamente de Quino, el dibujante, creador de Mafalda , el quinto capítulo se presentan los resultados y discusiones, donde vamos a analizar cinco tiras del personaje de Mafalda y por último el sexto capítulo con las consideraciones finales Para el análisis de datos primeramente observaremos la ironía en el habla de Mafalda y luego observaremos cuál es la relación entre el discurso de Mafalda y la identidad femenina en los años 70. PALAVRAS_ CLAVE: la identidad femenina - habla - la ideología SUMÁRIO 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................08 2 A IDEOLOGIA NUMA PERSPECTIVA DA ANÁLISE DO DISCURSO.........09 3FORMAÇÃO DISCURSIVA ............................................................................... .12 4 MAFALDA E SEU CRIADOR QUINO................................¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬................................15 5 RESULTADOS E DISCUSSÕES.........................................................................20 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................24 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................25 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Na sociedade em que vivemos, circulam diferentes formas escritas de expressar um pensamento. Há uma infinidade de gêneros mais e menos formais que estruturam a nossa vida diária. Dos vários gêneros de circulação na mídia de massa, destacam-se as tiras em quadrinhos, as quais, apesar de terem um formato curto e linguagem popular, aparecerem carregadas de mensagens ideológicas e históricas de um determinado momento. Por essa razão, a análise dessas tiras revela valores, conceitos e conflitos de uma época. No caso de Mafalda, personagem criada pelo cartunista argentino Quino, o discurso se refere a temas que afligiam a geração dos anos 60 e 70, entre esses a questão da liberalização da mulher dentro de um novo contexto histórico, cultural e econômico, fazendo um contraponto com as raízes machistas e patriarcais também representadas nas tiras. As tiras de Quino têm a preocupação com a discussão de certos temas que sugerem críticas sociais. Dessa forma, o humor e a ironia estão presentes nessas narrativas. Pode-se dizer, então, que Quino oportuniza aos seus leitores realizarem uma análise de questões históricas, políticas e sociais relacionando com a atualidade. Assim, parece relevante fazer uma análise do discurso dessas tiras verificando que estratégias discursivas são empregadas pela personagem para se contrapor com a sociedade argentina machista da época. 2 IDEOLOGIA NUMA PERSPECTIVA DA ANÁLISE DO DISCURSO O sujeito não pode não significar, não fazer significar. Ele, frente a um objeto simbólico, é levado a dizer o que este significa: "há assim injunção à interpretação" (ORLANDI, 2001, p.22). A ideologia realiza um apagamento da materialidade da linguagem e produz um sentido (e um sujeito). O sujeito vai, ao mesmo tempo, constituindo a língua e se constituindo por ela. Desta maneira, sujeito e sentido são, ao mesmo tempo, produtores e produtos da linguagem. A Análise de Discurso trabalha com o lingüístico e com o ideológico no processo de produção/interpretação do sujeito e do sentido que o significam e que ele significa. Nessa perspectiva, o sujeito não é um indivíduo corpóreo, é um lugar de significação ideologicamente constituído, uma posição-sujeito, isto é, um sujeito que se materializa no entrecruzamento de diferentes discursos e se manifesta no texto pela relação a uma formação discursiva (PÊCHEUX, 1997a). Orlandi (2004, p. 49) de forma semelhante, diz: Esse sujeito que se define como posição é um sujeito que se produz entre diferentes discursos, numa relação regrada com a memória do dizer (o interdiscurso), definindo-se em função de uma formação discursiva . Podemos definir esse discurso como uma paráfrase. A paráfrase representa, assim, a memória, o retorno ao espaço do dizer, o retorno ao mesmo. A noção de repetição/renovação é empregada no nível discursivo porque considera as suas condições sócio-históricas e ideológicas de produção. Assim, os efeitos de sentido da noção de repetição/renovação estão relacionados com o interdiscurso da formação discursiva, ou seja, com o conjunto de saberes com os quais a repetição está vinculada. As formações discursivas têm, no seu interior, diferentes discursos, que são o interdiscurso. O entrelaçamento dos diferentes discursos, vindos de diferentes momentos da história, de diferentes lugares sociais, de diferentes autores, caracteriza uma interdiscursividade. Uma formação discursiva apresenta elementos vindos de outras formações discursivas que podem ser complementares, contraditórios ou excludentes. A formação de um discurso resulta da combinação de diferentes discursos. Assim, conforme Pêcheux (1990, p. 314), uma formação discursiva "[...] não é um espaço estruturalmente fechado, pois é constitutivamente `invadido' por elementos que vêm de outro lugar (...) que se repetem nela, fornecendo-lhe suas evidências discursivas fundamentais". [...] a memória discursiva seria aquilo que, em face de um texto que surge como acontecimento a ler vem restabelecer os `implícitos' (quer dizer, mais tecnicamente, os pré-construídos, elementos citados e relatados, discursos-transversos, etc.) de que sua leitura necessita: a condição do legível em relação ao próprio legível. Dentro da perspectiva marxista, o conceito originário de ideologia de Marx e Engels, expressaria a relação entre “formas invertidas” da consciência e a existência material dos homens, ou seja, haveria uma distorção do pensamento, cuja origem se daria em função das contradições sociais. Essa distorção teria como principal função ocultar essas próprias contradições. Esta formulação, porém, foi sofrendo transformações dentro do próprio trabalho desenvolvido por Marx, e também pela influência de outros autores como Lenin. Segundo Althusser (1980 p81), é “a natureza imaginária (da relação entre os homens e as suas condições reais de vida) que fundamenta toda a deformação imaginária que se pode observar em toda ideologia”. A partir da leitura de Althusser, seu conterrâneo Pêcheux vai pensar nas relações entre discurso e ideologias. E é esta leitura que nos interessa. Já Pêcheux afirma ainda que a materialidade ideológica só é possível de ser apreendida a partir da materialidade lingüística, que aparece nas formações discursivas; dizendo de outro modo, que aparece no dizer concreto de cada sujeito. Segundo o autor (1988), a modalidade particular do funcionamento da instância ideológica consiste justamente nesse assujeitamento ideológico que conduz cada pessoa a acreditar que, a partir de sua livre vontade, pode se colocar, sob a forma discursiva, no lugar de uma ou outra classe social. 3 FORMAÇÃO DISCURSIVA Os estudiosos de AD postulam que, se por um lado não há discurso destituído de ideologia, por outro, não há discurso que não tenha e/ou apresente a inscrição de outros, visto que todos eles nascem e apontam na perspectiva de suas relações com outros discursos. Desse modo, a AD privilegia o conceito de interdisciplinaridade para os estudos que desenvolve no campo da investigação sobre a linguagem. Para Orlandi (1988), é na formação discursiva que se constitui o domínio do saber, o que funciona como um princípio de aceitabilidade para um conjunto de formulações e, ao mesmo tempo, como um conjunto de exclusão do “não-formulável”. Entende-se, assim, que a formação discursiva não só se circunscreve na zona do dizível – do que pode e o que deve ser dito – definindo conjunto(s) de enunciado(s) possível, a partir de um lugar determinado, como também circunscreve o lugar do não dizível – o que não pode e o que não deve ser dito. Por esta razão, para tratar de formações discursivas, faz-se necessário tratar da interação entre formações discursivas, pois que a identidade do discurso se constrói na relação com o Outro, esteja esse Outro marcado ou não lingüisticamente. Segundo Pêcheux, o conceito de formação discursiva compreende o lugar de construção dos sentidos, determinando o que “pode” e “deve” ser dito, a partir de uma posição numa dada conjuntura. Assim sendo, a uma dada formação discursiva sempre corresponde uma dada formação ideológica. Desta forma, tendo o discurso como ponto de referência na questão da linguagem, estaremos buscando analisar nas falas da Mafalda a ideologia presente em relação a mulher dos anos 70. Esta análise será fundamentada na A.D. de Pêcheux,Orlandi e outros e com este respaldo bibliográfico tentaremos mostrar que um discurso nunca é neutro e sim sempre carregado de significado que poderá ser entendido de diferentes formas pelo ouvinte dependendo do conhecimento prévio que este possui em relação ao objeto em questão no discurso.Nesse sentido, é que a A.D.a vai mostrar que a linguagem está relacionada com a sua exterioridade, sendo afetada por essa, e que por isso ela nunca é transparente. O texto, para a AD, é analisado como concebido por uma discursividade, em que um conhecimento é produzido a partir desse próprio texto, apresentando uma materialidade simbólica e uma espessura semântica. Partindo agora para uma abordagem mais específica acerca da proposta deste trabalho, que é analisar as histórias da Mafalda sob a ótica da AD, aproveita-se para juntamente a isso refletir sobre alguns conceitos dessa linha de estudos relevantes para tal análise. 4 MAFALDA E SEU CRIADOR QUINO Quino, ou Joaquín Salvador Lavado, nasceu dia 17 de julho de 1932 na cidade de Mendoza (Argentina). Recebeu o apelido desde pequeno, para diferenciá-lo de seu tio Joaquín Tejón, pintor e desenhista publicitário com quem aos 3 anos descobriu sua vocação. Na década de 40, perde sua mãe e seu pai. Termina a escola primária e decide inscrever-se na Escola de Belas Artes de Mendoza, a qual abandonaria anos depois para dedicar-se a desenhar quadrinhos e humor. Em 1954, instala-se precariamente em Buenos Aires e perambula pelas redações de todos os jornais e revistas em busca de emprego. A revista “Esto Es” publica sua primeira página de humor gráfico. Desde então e até o dia de hoje continuam sendo publicados ininterruptamente seus desenhos humorísticos numa infinidade de jornais e revistas da América Latina e Europa. Em 1960 casa-se com Alicia Colombo. Não teve filhos. A lua de mel no Rio de Janeiro foi a primera saída da Argentina. Em 1963 lança seu primeiro livro de humor, Mundo Quino, uma recopilação de desenhos de humor gráfico mudos. Em 1964 aparece Mafalda pela primeira vez e a partir daí foram lançados vários livros na Argentina e no exterior. Viajou a vários países divulgando seu trabalho e recebeu diversos prêmios de nível internacional, entre eles o de desenhista do ano, em 1982. Atualmente publica seus desenhos na revista semanal do jornal Clarín. Situando brevemente a personagem Mafalda, ela foi criada em 1962, na Argentina, e publicada, com certa regularidade, em periódicos, de 1965 a 1973, quando Quino, seu criador, resolveu parar de produzi-la, tendo em vista não concordar com a censura prévia que se impunha com um regime político-militar repressor, que teve seu auge, naquele país, de 1976 a 1983.Mafalda é uma menina extremamente contestadora e que não se conforma com os modelos de sociedade e de comportamento da época. Mafalda é considerada contestadora, crítica e até mesmo subversiva, primeiro por se tratar de uma criança e depois por ser mulher, que como tal, segundo os valores da época, não deveria preocupar-se com os problemas do mundo e sim com o proposto tradicionalmente. Conforme os padrões estabelecidos na época ,essas deveriam ser boas mães e esposas, saber cozinhar, bordar e costurar, dedicando- se ao bem estar da família devendo ser observadas, avaliadas e vigiadas de acordo com os padrões do período, abdicando de qualquer profissionalização, o estudo de nada serviria a essas mulheres já que a função de sustento da casa estava destinada aos pais e maridos. A indignação de mafalda frente à posição ocupada pela mulher nos anos 70 é na verdade a representação do surgimento de um novo grupo de mulheres, preocupadas com a discussão desses valores instituídos e com o seu envolvimento no meio social e político a fim de garantirem seus direitos enquanto cidadãs. E é justamente nos anos 70, que se ouve com mais força os questionamentos da mulher sobre o seu papel dentro dessa sociedade machista e patriarcal, o feminismo marca não só a vida da mulher argentina, mas influencia o mundo todo com suas idéias. Mafalda expõem as novas visões sobre o feminino e masculino, rompendo com a ilusão imposta de que estariam pré-destinadas a serem apenas boas mães e esposas. Assim, análise que iremos fazer das tiras nos permitirá termos a dimensão dos papeis sociais designado a cada um dos sexos naquele momento histórico. Por outro lado, precisamos esclarecer que não pretendemos fazer aqui uma história de vítimas, mas sim de compreendermos o passado e principalmente de percebermos quais são os laços que nos atam a ele, a mudança para uma sociedade mais justa e democrática entre homens e mulheres se dará a partir do momento em que haja uma maior conscientização e sensibilização contra a discriminação de gênero. 5 ANÁLISE DO CORPUS • Este pesquisa bibliográfica tem como finalidade analisar as tiras de Mafalda. Selecionamos 4 tiras da publicação Toda Mafalda, de autoria do argentino Quino, da editora Martins Fontes – 1991. Como essa publicação apresenta cerca de duas mil tiras, com vários temas, optamos por selecionar as tiras que abordam a temática mulher na sociedade. As tiras escolhidas abordam cenas do cotidiano da mulher dos anos 70, geralmente protagonizadas pela menina Suzanita e pela mãe de Mafalda sugerindo críticas e levando a uma reflexão acerca do papel da mulher na sociedade. Tira 1 A tira número 1 mostra uma conversa a Mafalda com sua mãe,podemos observar através das colocações da menina que segundo sua concepção,sua mãe tornou-se uma “medíocre” ao ter largado a faculdade para se casar e assumir o papel perante a sociedade burguesa de boa mãe e esposa, a rotina de Raquel é a de preparar as refeições, organizar a casa, além de cuidar das crianças, e apesar de já ter estudado piano e de ser sonhadora não consegue alimentar outras ambições já que vida doméstica e a preocupação com a boa aparência lhe consomem todo o tempo disponível. Ela “(...) vem corroborar com a idéia da diferença entre homens e mulheres... Esta parece estar conformada com a situação... e com o lugar a ela destinado” (ARAUJO, 2003, p.6). Mafalda, no entanto, quer aprender a ler para compreender o mundo em que vive, e por isso a mãe torna-se alvo de seu desprezo e um exemplo a não ser seguido pela menina. O pai da personagem reforça ainda mais essa distinção de tarefas, formado, trabalha e uma companhia de seguros e torna-se responsável pelo sustento financeiro da casa e por isso em nenhum momento aparece ajudando Raquel na execução das tarefas domésticas. Nessa tira ainda é colocada uma segunda questão: a da instrução do público feminino. Muitos estudiosos afirmavam o perigo de se instruir a mulher, esse medo, no entanto tem fundamentos, pois com um nível um pouco mais elevado de instrução a mulher poderia adentrar mais facilmente ao mercado de trabalho, isso se constituiria em uma ameaça ao modelo de família tradicional , pois a liberdade econômica em muitos aspectos inviabilizavam à sua posse pelo homem. E é justamente nos anos 70, que se ouve com mais força os questionamentos da mulher sobre o seu papel dentro dessa sociedade machista e patriarcal, o feminismo marca não só a vida da mulher argentina, mas influencia o mundo todo com suas idéias. Mafalda, Libertad e sua mãe, que trabalha como tradutora, expõem as novas visões sobre o feminino e masculino, rompendo com a ilusão imposta de que estariam pré-destinadas a serem apenas boas mães e esposas. Tira 2 Na tira 2 mostra a indignação de Raquel ao chegar da feira,podemos observar o viés ideológico de sarcasmo que a menina tem na fala quando diz que “ sua mãe quando vai ao mercado fica inspirada e consegue inventar frases originais”e além disso expressão de felicidade estampada no rosto de Mafalda ao perceber que a mãe está abordando um problema social ,saindo assim daquela idéia que já é senso comum da personagem de que dona de casa não pensa,não questiona. Tiras 3 e 4 As tiras 3 e 4 mostram um diálogo entre Susanita e Mafalda,nesse diálogo Susanita deixa bem claro suas convicções de que a mulher foi feita para casar ter filhos e que deve ser sustentada pelo marido,Mafalda em conta partida tenta despertar na amiga um desejo por algo diferente que possa contribuir para o progresso da humanidade,mas a menina está tão convicta que nem percebe o que a amiga quis dizer e Mafalda mais uma vez mostra-se indignada e na última tira chega até a sentir pela amiga o mesmo desprezo que ela tem pela sopa. Além disso podemos dizer que a indignação de Mafalda frente à posição da amiga é na verdade a representação do surgimento de um novo grupo de , preocupadas com a discussão desses valores instituídos e com o seu envolvimento no meio social e político a fim de garantirem seus direitos enquanto cidadãs. Tira 5 e 6 Nas tiras acima podemos observar Manolito como sendo um fiel representante da sociedade machista e tradicional,que vê o movimento feminista como um absurdo,como um coisa descabida ele se mostra contra até ao fato de a mulher usar calças compridas e cabelos curtos,na sua visão a mulher serve apenas para trabalhos que não exijam muito esforço intelectual,como por exemplo cuidar da casa,entre outros.podemos perceber que na sua fala ele reforça valores já pré-estabelecidos e papéis bem distintos para cada um dos sexos e deixa bem claro que posição que exige um maior esforço intelectual pertence unicamente aos homens. ). Mafalda, no entanto, com a sua ironia quebra com esse padrão de pensamento considerado tradicional, ao ridicularizar seu colega aponta para a falta de sensibilidade aos problemas enfrentados por todos, em detrimento a atenção exacerbada que se dava ao comportamento de homens e mulheres. ] CONSIDERAÇÕES FINAIS Após a realização dessa pesquisa bibliográfica, podemos perceber que a mulher a muito custo está conseguindo conquistar seu espaço na sociedade e que isso é fruto de uma luta de décadas, e que Mafalda, essa maravilhosa criação de Quino, certamente,nos anos 70,veio muito a contribuir para uma nova visão da mulher diante da sociedade a qual estava inserida.Porém precisamos esclarecer que não estamos querendo colocar a mulher de vitima da sociedade mas sim compreender o passado e principalmente de perceber quais são os laços que nos atam a ele, a mudança para uma sociedade mais justa e democrática entre homens e mulheres se dará a partir do momento em que haja uma maior conscientização e sensibilização contra a discriminação de gênero.

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